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Sob a gestão de Donald Trump, os Estados Unidos estão redescobrindo a importância da América Latina. Este redirecionamento das prioridades geopolíticas desloca a atenção dos EUA da Europa para sua região de influência histórica. Em contraste com Biden, informado por uma visão ideológica de Guerra Fria, Trump adota uma abordagem pragmática e baseada em força, desconsiderando as regras da ordem internacional liberal.

A narrativa do embate entre democracias e regimes autoritários, que justificou a intervenção dos EUA na Guerra da Ucrânia, cede lugar ao lema “America First”, com os EUA projetando seu poder unilateralmente.

A principal ferramenta de coerção agora não são alianças ou intervenções militares diretas, mas tarifas –usadas como sanções econômicas para forçar concessões de outros países. O primeiro grande teste dessa abordagem ocorreu na América Latina, com a ameaça de tarifas de 25% sobre os produtos colombianos, caso o governo de Gustavo Petro não permitisse voos militares de deportação dos EUA. O recuo da Colômbia evidenciou o poder dissuasório dessas medidas, já que os EUA são o maior parceiro comercial do país.

Essas tarifas, aplicadas à revelia das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), refletem uma mudança na dinâmica de coerção. A interdependência econômica global cria um cenário de “destruição mutuamente assegurada” no campo financeiro, onde disputas comerciais podem resultar em danos sistêmicos. A América Latina, muitas vezes ignorada ou desconsiderada pelos EUA, agora é vista como uma ameaça, especialmente diante da crescente influência chinesa na região.

Com a ascensão da China, os EUA temem a expansão do soft power chinês que se projeta através da Nova Rota da Seda. Cerca de 40 países da América Latina e do Caribe participam da iniciativa, que inclui a construção do complexo portuário de Chancay, no Peru. A China se apresenta como uma alternativa ao modelo ocidental, promovendo o desenvolvimento sustentável, a transição energética e a inclusão social, o que a torna cada vez mais atraente para os países da região.

A presença crescente da China não se deve apenas ao déficit de infraestrutura da América Latina, mas também à criação de uma “infraestrutura invisível” de ideias, que fortalece seu soft power. A China se oferece como uma parceira que pode ajudar a resolver problemas estruturais da região, como a fome e a desigualdade social, ao contrário de uma política mais intervencionista dos EUA.

Essa disputa geopolítica coloca a América Latina em uma posição crítica. A região, rica em minerais essenciais para a transição energética global, tem uma oportunidade única de se reposicionar no cenário global. Porém, isso só será possível se houver um esforço coletivo para garantir que seus recursos não sejam apenas exportados de forma primária, mas processados e agregados com valor na própria região. A união da América Latina é fundamental para evitar que a região seja explorada como um território de extração de recursos e para garantir seu papel no desenvolvimento sustentável global.


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