E como chegamos até aqui? Bom, não foi do nada. Desde o desmatamento em ritmo frenético até a queima de combustíveis fósseis sem controle, cada escolha humana contribuiu para transformar o planeta em uma panela de pressão. O Brasil, por exemplo, perdeu mais de 20 milhões de hectares de floresta nos últimos 30 anos. E sem floresta, sem sombra, sem umidade. Só mais calor. Muita gente votando em político que passa a boiada e a boiada passa, mas é por cima da gente e dos nossos sonhos.
As grandes indústrias querem que acreditemos que resolveremos a crise climática apenas mudando pequenos hábitos individuais, enquanto seguem lucrando com a destruição do planeta. Elas investem pesado em campanhas para nos convencer de que reciclar o lixo e economizar água são suficientes, enquanto continuam despejando milhões de toneladas de CO2 na atmosfera e desmatando sem parar.
Eu não estou falando para você desistir da reciclagem e do canudo, muito pelo contrário, nós precisamos fazer nossas escolhas conscientes diante de tudo isso. Mas a mudança real precisa ser estrutural: políticas ambientais sérias, controle sobre as emissões, preservação de áreas verdes e um freio na exploração predatória de recursos. O problema não está no seu canudo de plástico, mas nas corporações que fazem de tudo para evitar mudanças reais em nome do lucro.
E onde entra a nossa responsabilidade nisso tudo? Em muitos lugares, mas um deles é no voto. Elegemos há menos de três meses políticos que negam a crise climática, que tratam emergências ambientais como um detalhe menor, que não têm qualquer compromisso com um futuro viável.
Quem vota em negacionistas climáticos e governantes que não têm planos para desastres ambientais está contribuindo para que essa panela de pressão continue fervendo. Questione os candidatos sobre suas propostas para enfrentar ondas de calor, enchentes, secas e desastres naturais. Exija medidas concretas. O futuro não é uma abstração, ele é agora, e ele queima.
E claro, a desigualdade torna essa crise ainda mais cruel. Enquanto alguns podem instalar ar-condicionado e buscar refúgio em casas refrigeradas, outros estão dormindo ao relento, trabalhando sob um sol de 40° ou vivendo em casas sem ventilação adequada. Os mais pobres são os primeiros a sofrer e os últimos a receber ajuda. As populações ribeirinhas, quilombolas, periféricas e indígenas são impactadas de maneira desproporcional pela degradação ambiental e pela falta de medidas efetivas para conter essa crise.