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Depois de revelar a intenção de deportar palestinos para transformar a faixa geográfica de Gaza num investimento turístico, com praias de areais brancas, mar sem poluição, hotéis, restaurantes, quadros de tênis e centro comercial, o presidente Trump deverá, nas próximas semanas, fechar com a Ucrânia um alto negócio. Um negócio, como se diz no campo do direito criminal, com o presidente ucraniano Zelensky sob coação moral irresistível.

Como frisei na coluna de ontem, Zelensky não tem mais recursos para prolongar a guerra de resistência e promover a recuperação das áreas invadidas pela Rússia. Teve de jogar a toalha, embora repita não estar a Ucrânia à venda.

Nesse cenário, o marketing trumpiano coloca o presidente americano como alguém que está desenvolvendo um trabalho mirado na busca pela paz.

Em outras palavras, a paz virou rótulo gerador de negócios rentáveis. Antes, na campanha eleitoral, Trump prometeu terminar com a guerra na Ucrânia em 24 horas. Agora, enxerga na guerra oportunidade para ressarcimentos e negócios.

Na cabeça de cifrões de Trump, a Ucrânia deve aos EUA US$ 500 bilhões (quase R$ 2,9 trilhões). Aí, o marketing omite que, no interesse dos EUA, esse era o valor empregado para expulsar os invasores russos, retomar a paz, impedir o descumprimento à carta constitucional da ONU e restabelecer a ordem disciplinada pelo direito internacional público. Incluía, também, a ameaça representada para a Europa em face da expansão russa, com Putin incorporando, como anteriormente aconteceu com Stalin, a ambição de Ivã 4º da Rússia, que passou à história como Ivã, o Terrível.

Mas não foram somente os americanos que realizaram empréstimos à Ucrânia, já que nessa conta a Ucrânia deveria à União Europeia mais de US$ 100 bilhões. E a ajuda foi no interesse da segurança europeia. Ou seja, os ucranianos lutaram no lugar de todos os estados-membros da União Europeia.

Negócios e oportunidades

Os 007 da inteligência, não importa o país onde servem, sabem que, com Trump, não existe almoço grátis. Sabem, também, que as dívidas devem ser pagas em dinheiro ou espécie. Tem mais: todo 007, sobre reservas, consulta a United States Geological Survey e sabe das estimativas de reservas, ou melhor, do potencial para atender mercados, como fibras óticas, painéis solares, turbinas eólicas etc. E ainda suprir os campos aeroespacial, médico e de defesa bélica.

O “tem de pagar” é o norte da bússola seguida por Trump, quer na vida privada, quer na pública. A confirmar isso, vale recordar a recente palestra ministrada em convenção organizada pelos autointitulados “conservadores americanos” (CPAC). Na palestra, Trump destacou que os EUA colocaram muito dinheiro na Ucrânia e avisou: “Queremos a devolução em terras raras, petróleo ou qualquer outra coisa”.

Vamos às terras raras. Segundo os especialistas, no planeta temos 90 milhões de toneladas em reservas.

Grosso modo, “terras raras”, ou “metais raros”, englobam um grupo de 17 elementos.

A maior reserva está na China: 44 milhões de toneladas. No Brasil está a segunda maior reserva com 21 milhões de toneladas. Os EUA, em sexto lugar no ranking, possuem 1,9 milhão de toneladas.

Na Ucrânia está a terceira maior reserva, avaliada em US$ 11,5 trilhões. Exatamente aí, está o capital para o ressarcimento desejado por Trump. Na verdade, e dada a situação de fragilidade da Ucrânia, Trump promoverá aquilo que os franceses chamam de “coup de main” (ataque rápido) ao butim de guerra.

Trump não quer apenas a restituição. Esqueceu a velha antipatia a Zelensky e tem como objetivo fechar negócios para empresários americanos explorarem as terras raras ucranianas. Lógico, a continuação da guerra atrapalhará, mas Trump não quer tirar os russos dos territórios ocupados, onde existem também terras raras, em especial na região litorânea de Azov e em Donbass.

Carências americanas

Trump está informado que os EUA possuem carência em 50 matérias-primas. Onde buscar, sem pagar, na base das compensações?

A resposta é fácil: a Ucrânia pode suprir. Das 50 matérias-primas, a Ucrânia, nas suas terras raras, detém 22 tipos.

No campo das chamadas matérias-primas críticas, a carência norte-americana chega a 34 componentes. A Ucrânia conta com 20 deles. Em abundância, lítio, titânio e vários outros minerais que faltam no mercado internacional.

O jogo de Trump está projetado na busca das carências. Como Trump tem egolatria fora de controle, pretende, na sua presidência, tornar os EUA uma superpotência e deixar a China no chinelo. O Brasil, com 21 milhões de toneladas de reserva em terras raras e como detentor de matérias-primas críticas, passou a interessar a Trump.

A desvantagem para Trump é não estar Lula, como presidente, no mesmo desespero de Zelensky. Como Trump aliou-se a Putin, o presidente Lula ficará mais tranquilo, com relação às críticas.

Num pano rápido, o novo petróleo tem o nome de terras raras e importa muito na transição verde e digital.