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O Brasil tem mais de 20 milhões de micro e pequenas empresas, somando as MEIs, MEs e EPPs. Essas categorias são definidas pelo número de funcionários e pelo faturamento. Dessas 20 milhões, 14 milhões são MEIs, microempreenderores individuais, como manicures, cabeleireiras, vendedores, costureiras, pequenos comerciantes e escritórios, freelancers.

Para entrar na categoria MEI o profissional precisa ter um faturamento máximo de cerca de R$ 81.000,00 por ano. Ou seja, mais ou menos R$ 6.700 reais por mês.

As microempresas, que são atividades comerciais, industriais e de serviço com até nove funcionários são as que faturam no máximo R$360.000,00 por ano (dados de 2023). O Sebrae calcula que existam cerca de 6 milhões de MEs ativas em nosso país. As pequenas empresas são aquelas que faturam no máximo R$ 4.8 milhões por ano. Juntas, as MEIs, MEs e EPPs representam 99% dos negócios formais do Brasil, somando 20 milhões de empresas.

A partir de um faturamento anual de R$ 6 milhões, a empresa passa a ser considerada de Empresa de Médio Porte. O Brasil tem entre 50 e 100 mil EMPs, o que representa apenas 0,3% do total de empresas do país.

E por que estou falando tudo isso? Para dimensionar o que significa a informação revelada pela apresentadora do SBT, Gaby Cabrini, de que a Neysister Rafaella Santos, teria gastado R$ 6 milhões no cartão de crédito em um mês, entre dezembro e janeiro e pediu ajuda ao pai para quitar a fatura.

Esse fato nos faz pensar em muitas perguntas que envolvem as distorções do capitalismo selvagem, injustiças sociais, questões psicológicas, comportamentais e até questões práticas como o título da coluna: como uma pessoa física, que tem tudo, que não adquiriu imóveis, GASTA 6 milhões de reais em um mês no cartão de crédito?

Vestindo roupas de seda de flor de lótus, besuntando-se com creme japonês de 13 mil dólares, comendo miojo com caviar de ovas albinas de esturjão polvilhado com fios de ouro comestível?

Como a fatura não foi mostrada, não temos como saber a resposta correta. Mas há notícias e fotos publicadas da influenciadora, irmã de Neymar, que revelam seu lifestyle. Olhando o feed do Instagram é possível imaginar que as despesas estejam ligadas a viagens internacionais em jatos particulares, roupas de grife, presentes para amigos e familiares.

Nada disso é irregular, ilegal, nem Rafaella fez nada de errado. Estamos falando da irmã de um dos maiores jogadores de futebol do mundo, dentro de um sistema capitalista que permite que tudo isso seja possível (sem contar que tem muita gente que gasta bem mais).

A questão aqui é dimensionar a realidade de uma pessoa, considerada “influenciadora” cuja despesa no cartão de crédito em 30 dias é muito maior que o faturamento de 20 milhões de empresas do Brasil em um ano inteiro.

Se tudo isso ainda não fez você refletir, aqui vai mais uma conta simples: R$ 6 milhões de reais corresponde hoje a 333 anos de trabalho para quem ganha um salário mínimo por mês.

Não faz sentido culpar a moça por essa aberração, mas como diria Caetano, alguma coisa está fora da ordem.

Foto de Rosana Hermann

Rosana Hermann é jornalista, roteirista de TV desde 1983 e produtora de conteúdo