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Ele fez referência à aprovação, ontem, no Comitê de Assuntos Judiciários da Câmara dos EUA, de um projeto de lei que prevê deportação e veto de entrada a qualquer estrangeiro que, na opinião do governo norte-americano, atue contra a liberdade de expressão. Na prática, a proposta foi criada para impor sanções ao próprio Moraes.

O projeto ainda precisa ser aprovado no plenário da Câmara e do Senado e tem um longo caminho pela frente, mas já vem sendo usado como ferramenta de discurso de bolsonaristas, do bilionário Elon Musk (que detesta Moraes devido à suspensão temporária do X por aqui) e da gestão Donald Trump.

O Brasil não está impondo censura a empresas sediadas nos EUA, como alega a extrema direita, mas obrigando pessoas jurídicas instaladas aqui a seguir as leis brasileiras. Se uma empresa não quiser seguir a Constituição Federal e obedecer às nossas instituições, é simples: não opere no país. Impor a lei norte-americana para ser seguida aqui é comum a governos autoritários, não a quem diz ser o farol da liberdade do mundo.

Tirando os pseudopatriotas brasileiros, que confundem verde e amarelo com vermelho e branco, muita gente aqui não gosta de um governo de fora dizendo o que o brasileiro deve ou não fazer. Quando extremistas começam a pedir que os EUA intervenham, surge uma reação negativa por parte de quem liga lé com cré. Da esquerda à direita liberal, são muitos os que não querem interferência indevida. Pois, hoje, é o STF. Amanhã, o Palácio do Planalto. Depois, o Congresso Nacional, os estados, municípios, empresas, a sociedade.

Alguém acredita na mentira de que o Tio Sam ataca países do Oriente Médio em nome da democracia e da liberdade? Não, ele faz isso em busca de petróleo e poder. Por que acreditar então que a atual gestão em Washington ameaçará o Brasil e outros países em nome da liberdade? Vai em defesa dos lucros das grandes plataformas de redes sociais e do controle sobre a população que pode exercer através delas.

A guerra das redes pelo controle de corações, mentes e carteiras entrou em nova fase com a aliança com a maior potência do mundo.